O que eu aprendi com a Escola Inkiri?

“A capacidade de observar sem avaliar é a forma mais elevada de inteligência.”

Jiddu Krishnamurti

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Eu junto com as crianças do ciclo 3 da Escola Inkiri Piracanga

No final de 2017 eu tive o privilégio de passar 10 semenas participando da rotina escolar da Escola Inkiri Piracanga (leia aqui um post que escrevi apresentando a Escola).

Minha chegada por lá representava para mim a inauguração de uma longa e ousada jornada por escolas holísticas e inovadoras pelo mundo, com a intenção aprender e me reinventar no universo da educação. A Escola Inkiri era minha primeira parada e eu estava ansiosa e curiosa para saber onde aquilo ia dar. Passei mais de um ano planejando essa jornada de pesquisa e imersões e a sensação de sentir se concretizar algo que ficou no plano mental durante muito tempo é sempre um pouco esquisita para mim – afinal na prática a teoria é outra, não é mesmo?

Uma das surpresas que não estava em meu planejamento é que eu chegaria à escola em um dos meus piores estados emocionais. Alguns movimentos de minha vida particular não estavam desenhados em meus planos e me tiraram do eixo logo antes de embarcar nessa jornada. E foi assim, fora do eixo que cheguei à escola. Não sentia que tinha muito a oferecer naquele momento, e justamente por acreditar em um caminho da educação que contempla e acolhe nossas estados interiores e questões emocionais, eu respeitei o meu ritmo e sensação. Cheguei aos poucos, cheguei em silêncio, cheguei observando e sentindo o lugar.

E o que era uma situação inesperada e adversa se tornou uma das primeiras e principais lições que eu poderia receber em minha jornada pelas escolas: o valor da OBSERVAÇÃO. Percebi que o meu histórico profissional e acadêmico me condicionaram a observar realmente muito pouco, como se a ansiedade de ter algo para entregar, propor alguma solução, se diferenciar, ter respostas, não permitissem o silêncio e o ritmo necessários para a sincera observação.

Cheguei na Escola Inkiri com a certeza que eu não tinha nada a oferecer e com a completa reverência e respeito pela história e pelas relações que já estavam acontecendo há anos naquela escola. Eu me permiti apenas estar no local, observar  e fluir organicamente conforme os espaços se apresentassem para mim. Que grata surpresa!

Não é a toa que J. Krishnamurti dizia que “a capacidade de observar sem avaliar é a forma mais elevada de inteligência”. Ao me permitir ser fiel ao exercício da observação, pude experienciar um processo realmente profundo de aprendizado e transformação: primeiro porque tive silêncio suficiente para observar as intensas atividades internas que aconteciam dentro de mim ao observar as crianças, segundo porque pude observar um fluxo natural e autônomo do desenvolvimento infantil que é intensamente poderoso, e terceiro porque sem a minha ansiosa intervenção no plano das coisas, as coisas saíram exatamente da melhor forma para minha trajetória! Sim-sa-la-bim… parece que uma mágica acontece quando paramos de querer controlar tudo. 🙂

A partir desta minha chegada à escola, naturalmente e por afinidade fui me aproximando da turma de crianças mais novas (chamada de Ciclo 1 pela escola e formada por crianças de 3-4 anos), com quem passei aproximadamente um mês e meio, cobrindo as férias da educadora dessa turma. Depois, tive a chance de acompanhar a turma de crianças de 6-8 anos, junto ao educador Fred, por mais algumas semanas e fechei minha jornada com chave de ouro com o desafio de cobrir as férias do Fred por uma semana com essa turma.

Os aprendizados e reflexões que tive durante estas 10 semanas foram tantos que não cabe em um post, mas certamente renderão muito assunto por aqui. Estar com crianças é definitivamente uma oportunidade única de rever a nossa própria criança, a nossa educação, às nossas crenças, luzes e sombras. De tudo que já experienciei de autoconhecimento, não há processo mais intenso e bonito de desenvolvimento humano. A educação é realmente um espaço de crescimento mútuo, e os educadores comprometidos com este papel, definitivamente aprendem mais do que ensinam. 🙂

Compartilho abaixo a carta que escrevi para os educadores (anjos) da Escola Inkiri no meu momento de despedida.

 

Na Escola Inkiri senti que a educação se dá nos instantes de relação entre as pessoas que convivem naquele espaço. Não há metodologia que se sobreponha ao valor das relações. Por isso, o educador é definitivamente a figura central no processo educativo. Quando faço uma retrospectiva de quais foram meus principais aprendizados na escola, é impossível não relacionar essa reflexão com as pessoas com as quais convivi. O que aprendi com cada Educador? Seja observando sua atuação ou seja interagindo diretamente com ele/a.

Compartilho abaixo um resumo do que vou levar de cada educador/a da Escola Inkiri: da Karina eu levo a transparência, da Paulina a qualidade de presença, da Bia eu leva a sutileza, do Fred o ritmo, do Guga a simplicidade, e de todos eu levo o silêncio como principal aprendizado. Cliquem nas imagens abaixo para lerem a minha definição de cada uma destas qualidades. 😉

Que eu possa seguir observando; e com isso, aprendendo; e com isso, ensinando.

 

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2 comentários

    • Querido, que bom ler isso :). Ainda tem muitas coisinhas que vivi aí com vocês que quero transformar em palavras e histórias. Grande beijo, com saudades.

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