O ponto inevitável

Ela já não conseguia mais segurá-los ali, sem sair. Eles tinham nascido para voar. Ela, pequenina naquilo, não podia mais segurar as portas fechadas.

Pequenina no sentido de novata. Tanto para eles, quanto para a incompreendida recomendação de mantê-los em casa.

O que farão eles na própria casa? Eles nasceram para sair. Para se encontrar com outros. Para com alguns confrontar. Com outros se apaixonar. Com outros se confundir. Com outros se expandir. O fato é que precisam sair. Precisam se esbarrar.

Casa, para eles, não poderia ser lugar de se isolar. Sequer de morar. Casa é lugar de retorno seguro, para voltar maior depois dos cruzamentos do sair. Segurar eles ali, para ela, era tortura.

Eles nasceram para revisitar a própria casa. Para a tornarem maior com os efeitos dos encontros. Mas chega um ponto inevitável: quando eles crescem tanto que a casa se apequena.

Inevitavelmente eles se tornarão maiores do que a casa. Isso ela, ainda que pequenina naquilo, já tinha percebido.

– Guarde seus pensamentos para ti menina! – as palavras ainda ressoavam. Mas a casa, esta já estava menor que eles.

Imagem de Dixit6

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